sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.



Análise


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Nesse primeiro paragrafo se vê um visão niilista usada muito por Nietzsche

onde não há mais surpresas na vida humana, não ocorre um espera por um sentido existencial, essas questões foram muito implantadas por Nietzsche em seu livro "Vontade de poder", No livro de Nietzsche
ele faz uma explicação do niilismo, e de como sofrerá uma acensão dele em tempos futuros, isso se entrelaça com os textos de Carlos Drummond de Andrade, percebesse uma clara falta de futuro com uma visão pessimista, e abnega os sentimentos humanos e de relações sociais.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

A partir da segunda parte do poema, vemos uma visão distante do amor, onde na parte do "Em vão mulheres batem à porta" e caracterizado que mulheres tenta se encontrar nele mas ele se mantém afastado porque já não acredita mais em relações humanas e a solidão se torna o mais viável, é perceptível uma visão neutra onde nem no próprio sofrimento ele já não se deixa mais levar, ele apenas respira e vive.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

O ultimo e maior paragrafo logo de inicio ele não liga para a questão de envelhecer, demostra que o personagem se vê cansado, ele inicia uma onda de pensamentos sobre como a vida  só caminha sem um  sentido determinado, anda perdida pelo deserto, sem aquela questão de um proposito existencial, e que alguns se acostuma com essa vida caótica e outros percebem ela, mas não querem viver nela sedo os desistentes, ele finaliza o poema dizendo que a vida e algo vazio, onde nem a morte consegue tirar isso dela.

AMAR-AMARO

AMAR-AMARO


porque amou por que amou
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou desesperados
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula evidente?

ah PORQUE AMOU
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos ecos
lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espetáculo por que amou?

se era para
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indignação do achado e aguda espotejação
da carne do conhecimento, ora veja

permita cavalheir(o,a)
amig(o,a) me releve
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix consoadíssima
a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega este não consola nunca de nuncarás.

Análise do poema Amar-Amaro

No poema Amar-Amaro, de Carlos Drummond de Andrade, é abordado um assunto sobre o amor. Coisa que é muito comum em poemas, já que muitos abordam essa temática, o amor. Porém, neste texto em específico, Drummond brinca com o efeito da paranomásia ao escrever palavras que têm uma semelhança na fala e na escrita, porém com significados totalmente diferentes. Com isso o leitor pode ter uma falsa impressão de fusão das palavras como, por exemplo, no título que ele escreve "Amar-Amaro" quando sem perceber fazemos uma fusão dessas palavras que se parecem mas que mesmo assim têm significados bem diferentes.
    A maioria dos autores poéticos tenta empregar em suas obras, palavras que não são muito conhecidas para valorizar o significado destas. Mas, na obra em questão, o autor faz o contrário ao escrever palavras de fácil entendimento, porém algumas de maneira difícil de ser lida para valorizar o significante, que é o que vemos e não o que sabemos.                           Especialmente por causa dessa característica, que este poema tem uma estética única e difícil de ser encontrada em outras obras.
Uma das principais características de Carlos Drummond é a negatividade que ele emprega em seus textos. Na obra Amar-Amaro não seria diferente e ao ler este poema podemos encontrar esta negatividade por todo este texto e percebemos que o eu lírico destaca muito o fracasso, ao dizer que o personagem sempre se machuca ao tentar amar ou até mesmo que o amor não compensa, pois seria impossível encontrá-lo.
    Drummond escreveu várias coisas inusitadas neste poema como o emprego de palavras juntas e com letras maiúsculas , além do principal que foi o emprego da palavra "desesperados", de trás para frente e de cabeça para baixo, o que na opinião de muitos que marca esta obra maravilhosa.
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Análise do poema "Soneto do amigo". (Luciano Borges, Matheus Camilotti, Mikhael Garcia)

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Análise do poema "Soneto do amigo"

A poesia “ Soneto do amigo” de Vinicius de Morais fala sobre a amizade sincera que passou por crises, mas que nunca foi esquecida, pois uma amizade de verdade nunca é abalada, pode sim passar por momentos difíceis, mas nunca acabará. 

Ele expressa que "depois de tanto erro passado, tantas retaliações, tanto perigo eis que ressurge noutro o velho amigo nunca perdido, sempre reencontrado" nesse trecho ele quis mostrar que nunca se perde uma amizade, mesmo havendo uma distância entre os amigos.

No verso seguinte, o eu lírico fala do sentimento bom de poder senta-se novamente ao lado de seu amigo "com os olhos que contem olhar antigo", a sinceridade de um com o outro de poder diálogar novamente depois de tanto tempo, o sentimento de paz que cada um sente em poder recuperar uma verdadeira amizade.

Apesar do amigo ter errado tanto no passado, ele gostou do reencontro, e fala também da alegria de estar ao lado do amigo novamente mesmo ele tendo suas falhas. E ele se sente muito feliz por ter amizade de uma pessoa tão especial.

 Diz também que "O bicho é igual a mim", ele expressa que os dois são iguais e pensam de uma forma parecida, são honestos de formas fazer as coisas sempre certas como diz na frase "simples e humano, sabendo se mover e comover". 

No último trecho ele expressa significado da palavra amigo " Amigo, um ser que não se explica." Na ultima frase ele diz "E o espelho da minha alma multiplica...", onde quis dizer que o amigo é tão parecido que pode se comparar com o "espelho" de sua própria alma que se multiplica. 

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
- Em que espelho ficou perdida 
a minha face?
https://www.pensador.com/autor/cecília_Meireles/


  
   Este poema relata fases da vida,  no caso, é um retrato de uma fase de mais maturidade. Essa temática é presente em outros poemas da  autora Cecília Meireles, como o conhecidíssimo poema "Motivo'', que propõe uma ideia da fase alegre da vida. Pois bem, pode ser uma fase juvenil, na qual  a autora se encontra alegre e possivelmente apaixonada. 
    No poema ''Retrato'', o eu lírico olha-se em seu espelho e tenta desvendar quando foi que a sua juventude, seus traços e a sua essência se perderam ou foi deixada ao longo da vida. Algo que pode ser preocupante, já que nessa fase é sentida uma certa insegurança em relação a vida. E quando chegamos a essa fase devemos ter muita calma e compreensão.
    Daqui em diante, falaremos das coisas boas e das ruins que com o passar dos anos o eu lírico sentiu que mudou em sua vida. Ele percebeu que alguns conquistas poderiam ser positivas, quando ele menciona ''Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo''. Assim, a tranquilidade de seu rosto pode ser um ponto positivo, já que uma pessoa calma consegue viver em uma harmonia razoável.
   Não podemos esquecer dos pontos negativos que o poema apresenta, que são a ideia de uma certa ''invalidez'' e um corpo envelhecido que a autora tenta propôr ao leitor. Em algumas partes do poema Cecília fica um pouco quanto assustada com a velocidade que o tempo passou e junto a ele trouxe várias mudanças em seu corpo ''Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas''. Percebe-se que para o eu lírico é algo até meio vergonhoso, pois  para quem teve uma vida com corpo de pele lisa e belas curvas, conviver com verrugas e um olhar triste é algo assustador por si próprio
.


Dialética - Analise (Mikhael, Luciano e Matheus.)

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...
Vinicius de MoraisANÁLISE - Dialética.Podemos observar no título do poema, "Dialética", que significa a dúvida e o eu-lírico percebeu que quando se trata de amor essa dúvida não deveria existir, mas existe.  O poema fala sobre o amor que o eu-lírico sente por alguém, porém está subentendido que esse amor não é o bastante para ele ser feliz. Além disso, "dialética" também pode ser entendido como um dialogo com outra pessoa que talvez ele não tivesse mais interessado.Vejam que o eu-lirico insiste em deixar bem evidente, através da repetição do “É claro”, que tem muitas razões para ser uma pessoa contente, utiliza-se até a figura de linguagem paralelismo para isso.Verifica-se também no poema a presença da antítese, que mostra a dúvida do autor quando diz que apesar de amá-la e ser feliz, é triste.
Este poema faz parte de livro '' Para Viver Um Grande Amor'', é o texto que mais chama atenção sendo possível ver com clareza as contradições e  riquezas de emoções presentes. Em que há certeza e duvida, alegria e tristeza em um poema curto.    Vinícius de Moraes era um boêmio inveterado e ficou conhecido por ser um grande conquistador. Casou-se nove vezes ao longo de sua vida. Observando essas informações podemos relacionar o poema "Dialética" com a sua vida amorosa que por sinal era bem agitada. O poema mostra que o problema não é ela e sim ele.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Eu Não existo sem você - Grupo (Luciano, Matheus e Mikhael)

Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Eu Não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Marcus Vinícius de Moraes é um poeta lírico cujo tema principal é amor. Ao longo de sua vida, foi músico, ator, poeta e também era conhecido por ser um grande conquistador. Em muitos de seus poemas, usava figuras de linguagem como comparação, metáforas, etc. Tom Jobim é considerado o maior expoente de todos os tempos da MPB (Música popular brasileira) pela revista ROLLING STONE e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova. Ao lado de Vinicius de Moraes, fez uma das mais fecundas parcerias da música brasileira, através da qual produziram inúmeras músicas, sendo uma delas: "Eu não Existo sem Você".
"Eu não existo sem você" é um poema que foi musicado (por Tom Jobim), pertence a obra de Vinicius de Moraes e relata de forma emocionante o sentimento de um eu lírico. O poema mostra o quão grande pode ser o amor de uma pessoa por outra, de forma a não conseguir viver sem isso. Um amor que resiste a distância, que não tem medo de amar e nem de sofrer: "Que todo grande amor, Só é bem grande se for triste".
Como dito no verso: "Que todos os caminhos, me ancaminham pra você", podemos ver que o destino do eu poético está traçado, que não ha caminho algum diferente da amada, apenas ela...
Na segunda estrofe percebe-se o uso de muitas comparações e paralelismos, que ajudam a compor o ritmo do poema musicado. São usados para tentar expressar o amor pela amada, e que sua vida será completa apenas ao seu lado.

O utopista Murilo Mendes

O utopista

Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças 
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro no mundo.

No poema de Murilo Mendes ele fala do sentido original da palavra utopia, que concebe exatamente os materialistas, para quem o "chão é duro", como os verdadeiros utopistas. 
Com efeito para muitos marxistas, o mundo em que vivemos é irremediável. Para eles os homens estão presos a uma classe social como fala no poema "Que todos os homens estão presos".
A poesia e a arte são produtos ideológicos e limitados "Que há limites para a poesia".
Toda felicidade que esse mundo aparenta é ilusória "Que não há sorrisos nas crianças, nem amor nas mulheres", e que a unica coisa que importa nesse mundo são as condições materiais (o "pão"), e "Não há um outro no mundo".
Na ultima frase do poema ele fala exatamente como é o pensamento de um utopista, "Não há um outro no mundo", ou seja, ele que dizer que só existe o homem no mundo e não existe Deus.Só que Murilo Mendes era católico então o que ele faz é inverter a acusação dos materialistas ao cristianismo, o de que o Deus ou o "outro mundo" não passa da negação do mundo real materialista. Para Murilo Mendes quem realmente nega o mundo real é exatamente o utopista.